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Bexiga neurogênica: causas, tratamento e direitos do paciente

Bexiga neurogênica é quando a bexiga deixa de funcionar bem por um problema nos nervos ou na medula, como lesão medular, mielomeningocele ou esclerose múltipla. A pessoa pode perder urina ou não conseguir esvaziar a bexiga. O tratamento busca proteger os rins e evitar infecções, quase sempre com cateterismo intermitente e acompanhamento por toda a vida.

Atualizado em Revisão médica: pendente 12 fontes citadas

O que é bexiga neurogênica?

É uma alteração no funcionamento da bexiga causada por um problema no sistema nervoso. Esse problema pode estar presente desde o nascimento (congênito) ou surgir ao longo da vida (adquirido).3

Em algumas pessoas, a bexiga se contrai sem controle e o músculo que segura a urina (esfíncter) não relaxa. Com isso, a pressão dentro da bexiga sobe. Isso pode fazer a urina voltar para os rins e, com o tempo, prejudicar a função renal. A urina que fica parada na bexiga também favorece infecções de repetição e cálculos.1

A complicação mais comum é a infecção urinária. A mais grave é a perda da função dos rins.3

Quais condições podem causar bexiga neurogênica?

Lesão medular. No Brasil, estima-se que a lesão medular traumática atinja 40 novas pessoas por milhão de habitantes a cada ano. Cerca de 80% são homens, e 60% têm entre 10 e 30 anos.12 As alterações urinárias estão entre os principais desafios da reabilitação.1

Mielomeningocele (espinha bífida). Muitas crianças com essa condição não esvaziam bem a bexiga. Em um estudo com crianças na Tailândia, as que começaram o cateterismo intermitente no primeiro ano de vida tiveram menos piora da função dos rins do que as que começaram depois dos 3 anos (33,3% contra 61,3%). Elas também precisaram menos de cirurgia para ampliar a bexiga (13,9% contra 32,3%).6 A decisão sobre o tratamento é do urologista pediátrico.

Esclerose múltipla. A esclerose múltipla está entre as causas de lesão medular não traumática1 e pode afetar os nervos da bexiga.4 Revisões indicam que boa parte das pessoas com a doença tem sintomas urinários em algum momento, como urgência, perdas ou dificuldade para esvaziar a bexiga.7

Quais são os sintomas e quando procurar um médico?

Os sinais mais comuns são perdas de urina, vontade urgente de urinar, dificuldade para esvaziar a bexiga, infecções urinárias de repetição e febre.14

Procure um urologista se você tem lesão medular, mielomeningocele, esclerose múltipla ou outra doença neurológica e nota alterações para urinar, ou se as infecções urinárias se repetem.14

Vá a um pronto-socorro se surgir fraqueza nas pernas ou perda de sensibilidade nas pernas, nos genitais ou no ânus. Esses sinais podem indicar lesão na medula espinhal.5 Não conseguir urinar também exige atendimento médico imediato.4

Como é o tratamento da bexiga neurogênica?

O objetivo é esvaziar a bexiga com pressão baixa, evitando urina parada e perdas involuntárias. Na maioria dos casos, isso é feito com cateterismo intermitente, junto com medicamentos e acompanhamento dos rins.1

Na bexiga neurogênica por lesão medular, a Conitec registra que o cateterismo intermitente deve ser iniciado desde a alta hospitalar, na maior parte dos casos. Em comparação com a sonda de demora, que fica no corpo o tempo todo, ele favorece a continência e a independência e reduz as infecções urinárias com sintomas e as complicações nos rins a longo prazo.1

Quando os medicamentos não resolvem, o médico pode indicar a toxina botulínica na bexiga, aplicada por cistoscopia.5 O efeito é temporário, e as aplicações precisam ser repetidas.8 Também existem cirurgias, como a ampliação da bexiga.16

Não existe um único tratamento para todos. Quem indica o tratamento é o médico após avaliação.

Como é o acompanhamento ao longo da vida?

Em geral, a bexiga neurogênica é uma condição crônica, com acompanhamento urológico por toda a vida.1

A Conitec descreve consultas com o urologista e exames de laboratório e de imagem a cada seis meses ou a cada ano. O urologista define a forma mais adequada de esvaziar a bexiga em cada fase.1

O diário miccional, com o registro dos volumes de urina, ajuda nesse acompanhamento.1

Quais são os riscos e complicações?

As principais complicações descritas são:13

  • infecção urinária, a mais comum;
  • cálculos (pedras) e fístulas;
  • refluxo da urina da bexiga para os rins e dilatação dos rins (hidronefrose);
  • em casos extremos, perda da função dos rins.

O próprio tratamento também tem riscos. O cateterismo pode causar infecção urinária, trauma ou sangramento na uretra.1 A toxina botulínica pode causar retenção urinária, que pode exigir cateterismo por um período, e infecção urinária.8

Esvaziar a bexiga com regularidade e manter o acompanhamento ajuda a proteger os rins.13

Quais são os direitos no SUS e nos planos de saúde?

Cateter hidrofílico no SUS. Em 2019, o Ministério da Saúde incorporou o cateter hidrofílico para o cateterismo intermitente em pessoas com lesão medular e bexiga neurogênica (Portaria SCTIE/MS nº 37/2019).1 O Decreto nº 7.646/2011 dá prazo de 180 dias para a oferta efetiva após a incorporação.2 Na prática, a disponibilidade pode variar: um parecer de 2022 não encontrou o insumo em listas oficiais de fornecimento no estado do Rio de Janeiro.3 Os critérios e o fluxo mudam de município para município. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a mielomeningocele também está entre os critérios.2 Procure a UBS com a prescrição médica. Veja mais na página de cateterismo intermitente.

Toxina botulínica. Em 2012, a Conitec não recomendou a incorporação da toxina botulínica para a bexiga no SUS. Em 2014, uma nota técnica do Judiciário de Minas Gerais informava que a diretriz da ANS não cobria o uso na bexiga neurogênica.9 Não foi localizada avaliação mais recente. A situação atual pode variar; consulte o Rol da ANS vigente.

Planos de saúde. Não há regra única, e a cobertura pode variar. A Lei nº 14.454/2022 prevê cobertura de tratamentos fora do Rol da ANS em certas condições, como comprovação científica de eficácia ou recomendação da Conitec.10 Em 2025, o STF fixou requisitos que precisam ser cumpridos ao mesmo tempo, entre eles prescrição médica, falta de alternativa no Rol, comprovação científica e registro na ANVISA.11 Tribunais estaduais já consideraram indevida a negativa do cateter hidrofílico em alguns casos.12 Peça a negativa por escrito e procure a ANS ou orientação jurídica.

Perguntas frequentes

O que é bexiga neurogênica?

É quando a bexiga deixa de funcionar bem por causa de um problema nos nervos ou na medula, como lesão medular, mielomeningocele ou esclerose múltipla. A pessoa pode perder urina ou não conseguir esvaziar a bexiga. As complicações mais importantes são a infecção urinária e o dano aos rins.13

Bexiga neurogênica tem tratamento?

Sim. Em geral, é uma condição crônica, que exige acompanhamento por toda a vida. O tratamento busca proteger os rins, evitar infecções e controlar as perdas de urina, quase sempre com cateterismo intermitente e, às vezes, medicamentos, toxina botulínica ou cirurgia.1 Quem indica o tratamento é o médico após avaliação.

Por que meu filho com mielomeningocele precisa de sonda?

Muitas crianças com espinha bífida não esvaziam a bexiga direito. Um estudo mostrou que as crianças que começaram o cateterismo intermitente no primeiro ano de vida tiveram menos piora dos rins do que as que começaram depois dos 3 anos.6 A decisão sobre quando e como começar é do urologista pediátrico.

Quem tem esclerose múltipla pode ter problema na bexiga?

Sim. A esclerose múltipla pode afetar os nervos que controlam a bexiga.4 Revisões indicam que boa parte das pessoas com a doença tem sintomas urinários em algum momento, como urgência, perdas ou dificuldade para esvaziar.7 Esses sintomas devem ser avaliados por um urologista, que indica os exames e o tratamento.

Bexiga neurogênica pode afetar os rins?

Sim. A pressão alta dentro da bexiga e a urina parada podem fazer a urina voltar para os rins, causar infecções e, em casos extremos, levar à perda da função renal.1 Por isso, o esvaziamento regular da bexiga e o acompanhamento com exames são parte importante do cuidado de quem tem a condição.1

Quais exames acompanham a bexiga neurogênica?

A Conitec descreve exames de laboratório e de imagem a cada seis meses ou a cada ano, além de consultas com o urologista.1 O médico usa esses resultados para acompanhar os rins e definir a forma mais adequada de esvaziar a bexiga. A frequência dos exames é definida em cada caso.

Toxina botulínica na bexiga serve para bexiga neurogênica?

Pode ser uma opção quando os medicamentos não resolvem. A toxina é aplicada na parede da bexiga por cistoscopia e bloqueia o nervo que faz a bexiga se contrair sem querer.5 O efeito é temporário, e as aplicações precisam ser repetidas. O risco mais citado é a retenção urinária, que pode exigir cateterismo por um período.8

Tenho direito ao cateter hidrofílico pelo SUS?

O cateter hidrofílico foi incorporado ao SUS em 2019 para pessoas com lesão medular e bexiga neurogênica (Portaria SCTIE/MS nº 37/2019).1 Os critérios, a quantidade e o fluxo podem variar de município para município.23 Procure a Unidade Básica de Saúde com a prescrição médica para saber como funciona na sua cidade.

O plano de saúde é obrigado a fornecer o cateter?

Não há regra única. Tribunais estaduais já consideraram a negativa indevida em alguns casos.12 Mas a cobertura fora do Rol da ANS segue requisitos definidos pelo STF em 2025, que precisam ser cumpridos ao mesmo tempo.11 Peça a negativa por escrito e procure a ANS ou orientação jurídica para avaliar o seu caso.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Diagnóstico e indicação de tratamento são feitos exclusivamente por médico após avaliação individual. Em caso de urgência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.

Fontes

  1. Conitec — Relatório de Recomendação nº 459/2019: cateter hidrofílico para cateterismo vesical intermitente em indivíduos com lesão medular e bexiga neurogênica (inclui a Portaria SCTIE/MS nº 37/2019). www.saude.sp.gov.br
  2. Prefeitura de São Paulo/SMS — Nota Técnica nº 03/2023 CAB/SEABEVS/SMS: cateter hidrofílico. www.prefeitura.sp.gov.br
  3. SES-RJ/NATJUS — Parecer Técnico 0060/2022: cateter hidrofílico na bexiga neurogênica. static.trf2.jus.br
  4. Manual MSD (versão para pacientes) — Retenção urinária. www.msdmanuals.com
  5. Manual MSD (versão para pacientes) — Incontinência urinária em adultos. www.msdmanuals.com
  6. Asian J Surg (2004) — Cateterismo intermitente limpo precoce versus tardio em crianças com bexiga neurogênica. doaj.org
  7. Revisão — Disfunção vesical na esclerose múltipla (2023). www.medigraphic.com
  8. Cochrane — Duthie JB et al. Injeções de toxina botulínica para adultos com síndrome da bexiga hiperativa (2022). www.cochrane.org
  9. NATJUS-TJMG — Nota Técnica 015/2014: toxina botulínica na bexiga neurogênica (Conitec 2012; diretriz da ANS). bd.tjmg.jus.br
  10. Lei nº 14.454/2022 (inclui o §13 no art. 10 da Lei nº 9.656/1998). www.planalto.gov.br
  11. STF — ADI 7265: cobertura de procedimentos fora do Rol da ANS. noticias.stf.jus.br
  12. Jurisprudência sobre plano de saúde e cateter de uso domiciliar (TJPR). www.admdireito.com.br

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