Incontinência urinária é a perda de urina sem querer, ao tossir, rir, fazer esforço ou logo depois de uma vontade forte e súbita. É comum, sobretudo em mulheres mais velhas, mas também afeta homens. Tem tratamento, que vai de exercícios e fisioterapia pélvica a medicamentos e cirurgia. Quem indica o tratamento é o médico após avaliação.
O que é incontinência urinária?
Segundo o Ministério da Saúde, a incontinência urinária é a perda de urina, sem querer, ao tossir, dar risada ou fazer esforço. É um problema de saúde muito comum, mas pouco falado.1
Ela é mais frequente em mulheres a partir dos 50 a 60 anos.1 Em um estudo com idosos de São Paulo, 26,2% das mulheres e 11,8% dos homens relataram perda de urina.3 Em idosos de Bagé (RS), os números foram 26,9% e 10,3%.4 São dados regionais; não há um número nacional atual nas fontes consultadas.
Quais são os tipos de incontinência urinária?
O Manual MSD descreve cinco tipos principais:2
- De esforço: a urina escapa quando a pressão na barriga aumenta de repente, como ao tossir, espirrar ou levantar peso.
- De urgência: o escape vem logo depois de uma vontade forte de urinar. Está ligada à bexiga hiperativa.
- Mista: mais de um tipo ao mesmo tempo, geralmente esforço e urgência.
- Por transbordamento: a bexiga fica cheia demais e a urina goteja.
- Funcional: a perda acontece por uma limitação física ou mental, sem relação com o controle da micção.
O que causa a incontinência na mulher e no homem?
As causas são várias. O Ministério da Saúde cita gravidez, parto, obesidade, envelhecimento, menopausa, câncer de próstata, diabetes descontrolado, lesão medular, AVC, infecção urinária e prisão de ventre crônica, entre outras.1
Na mulher, gravidez, parto e menopausa estão entre os fatores associados.1 As alterações após a menopausa podem enfraquecer o esfíncter, o músculo que ajuda a segurar a urina.2
No homem, a incontinência é menos frequente.3 A cirurgia da próstata, sobretudo a retirada completa, pode enfraquecer o esfíncter. A obstrução causada pela próstata aumentada também pode levar a perdas.2
Quando a causa é um problema nos nervos ou na medula, fala-se em bexiga neurogênica.
Quando procurar um médico?
Procure um pronto-socorro imediatamente se a perda de urina vier junto com fraqueza ou perda de sensibilidade nas pernas, nos genitais ou no ânus. Esses sinais podem indicar lesão na medula espinhal.2
Sem esses sinais, a consulta pode ser marcada de rotina. Vale antecipar se as perdas atrapalham a vida diária ou social.2
Quem trata a incontinência é o urologista e o ginecologista ou uroginecologista. Fisioterapeutas pélvicos participam do tratamento conservador. Só profissionais habilitados podem diagnosticar e indicar tratamentos.1
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento depende do tipo e da causa da incontinência.1 As opções vão do conservador ao cirúrgico:21
- Medidas gerais: ajuste da ingestão de líquidos, treinamento da bexiga, exercícios para o assoalho pélvico (Kegel) e fisioterapia pélvica.
- Medicamentos: usados sobretudo na incontinência de urgência, como os anticolinérgicos, entre outros.
- Toxina botulínica na bexiga: aplicada por cistoscopia na bexiga hiperativa, quando os medicamentos não funcionam.
- Sling (tipoia): cirurgia para a incontinência de esforço.
- Esfíncter urinário artificial: opção para a incontinência de esforço no homem.
- Neuromodulação sacral: para a urgência que não responde a outros tratamentos.
Na incontinência por transbordamento e na bexiga neurogênica, o cateterismo intermitente pode fazer parte do cuidado.10
Nenhuma opção serve para todos. Quem indica o tratamento é o médico após avaliação.
Como é a toxina botulínica na bexiga hiperativa?
A bexiga hiperativa causa vontade súbita e forte de urinar, muitas idas ao banheiro e, às vezes, perda de urina. O tratamento começa com medidas gerais e medicamentos.2
Quando os medicamentos não funcionam, o médico pode indicar a toxina botulínica. Ela é injetada em vários pontos da parede da bexiga, por uma agulha fina passada por dentro do cistoscópio. A toxina bloqueia a atividade do nervo que faz a bexiga se contrair sem querer.2
Uma revisão Cochrane de 2022, com 19 estudos, concluiu que a toxina parece ser uma terapia eficaz para os sintomas de bexiga hiperativa que não melhoram com outros tratamentos. Os autores ressaltam que os dados de longo prazo são limitados.5 Uma metanálise brasileira mostrou melhora da urgência, da frequência, das idas ao banheiro à noite e dos episódios de perda de urina, em comparação com placebo.6
O efeito dura vários meses, e as aplicações precisam ser repetidas. Na revisão Cochrane, as doses repetidas não perderam eficácia.5
Antes da aplicação, o médico explica os riscos. Revisões recomendam que a pessoa esteja disposta e apta a fazer autocateterismo, caso seja necessário.7
Quais são os riscos e complicações dos tratamentos?
Os riscos variam conforme o tratamento.
- Toxina botulínica na bexiga: o risco mais citado é a retenção urinária, quando a bexiga não esvazia, que pode exigir autocateterismo por um período. Também há risco de infecção urinária e de absorção da toxina pelo organismo.57 A ANVISA alerta que a toxina pode afetar áreas distantes do local da aplicação e que só devem ser usados produtos registrados.8
- Cirurgias (sling, esfíncter artificial, neuromodulação): cada uma tem riscos próprios, que o cirurgião deve explicar antes da decisão.
- Cateterismo intermitente: os riscos estão descritos na página sobre cateterismo intermitente.
Converse com o médico sobre os riscos, os benefícios e as alternativas de cada opção.
O SUS e os planos cobrem a toxina botulínica na bexiga?
No SUS: em 2012, a Conitec não recomendou incorporar a toxina botulínica para a bexiga, por considerá-la um tratamento para quem não melhorou com alternativas menos complexas.9 Não foi localizada reavaliação posterior para essa indicação.
Nos planos de saúde: em 2014, uma nota técnica do Judiciário de Minas Gerais informava que a diretriz da ANS não cobria essa indicação.9 A situação atual pode variar: consulte o Rol da ANS vigente e o seu contrato. A Lei nº 14.454/2022 prevê cobertura de tratamentos fora do Rol em certas condições, como comprovação científica de eficácia.11 Em 2025, o STF fixou requisitos que precisam ser cumpridos ao mesmo tempo para essa cobertura.13
Peça qualquer negativa por escrito e, se precisar, procure a ANS ou orientação jurídica.
Perguntas frequentes
Incontinência urinária tem tratamento?
Sim. O tratamento depende do tipo e da causa da perda de urina. As opções vão de fisioterapia pélvica e mudanças de hábitos a medicamentos e cirurgia.1 Os resultados variam de pessoa para pessoa. Quem indica o tratamento é o médico após avaliação, considerando a sua história e os seus exames.
Quais são os tipos de incontinência urinária?
Os principais são: de esforço, quando a urina escapa ao tossir ou espirrar; de urgência, logo depois de uma vontade súbita e forte; mista, que junta os dois; por transbordamento, quando a bexiga cheia goteja; e funcional, causada por uma limitação física ou mental.2
Perder urina ao tossir é normal?
Homem pode ter incontinência urinária?
Exercício de Kegel ajuda na incontinência?
Quando a incontinência precisa de cirurgia?
Na incontinência de esforço que não melhora com medidas gerais e medicamentos, o médico pode indicar o sling, uma espécie de tipoia. Nos homens, o esfíncter urinário artificial é uma opção.2 A decisão é tomada com o médico, depois da avaliação e de uma conversa sobre riscos e alternativas.
Como funciona a toxina botulínica na bexiga?
A aplicação de toxina botulínica na bexiga dói?
A aplicação é feita por cistoscopia. Uma publicação brasileira descreve como frequente o uso de anestésico local colocado dentro da bexiga para a analgesia.12 O tipo de anestesia é definido pelo urologista em cada caso. Converse com o médico sobre o que esperar antes e depois do procedimento.
Incontinência urinária tem relação com a menopausa?
Sim. As alterações que acontecem depois da menopausa podem enfraquecer o esfíncter, músculo que ajuda a segurar a urina.2 O Ministério da Saúde também lista a menopausa entre os fatores associados à incontinência, ao lado de gravidez, parto, obesidade e envelhecimento.1 Um médico pode avaliar o seu caso.
Qual médico trata incontinência urinária?
O urologista e o ginecologista ou uroginecologista. Fisioterapeutas pélvicos participam do tratamento conservador, com exercícios e treinamento da bexiga. Segundo o Ministério da Saúde, só profissionais habilitados podem diagnosticar e indicar tratamentos.1 Procure um desses especialistas se as perdas de urina atrapalham o seu dia a dia.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Diagnóstico e indicação de tratamento são feitos exclusivamente por médico após avaliação individual. Em caso de urgência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.
Fontes
- Ministério da Saúde/BVS — Incontinência urinária. bvsms.saude.gov.br
- Manual MSD (versão para pacientes) — Incontinência urinária em adultos. www.msdmanuals.com
- Rev Saúde Pública (2001) — Estudo SABE: incontinência urinária em idosos de São Paulo. scielosp.org
- Cad Saúde Pública (2009) — Incontinência urinária em idosos de Bagé (RS). scielosp.org
- Cochrane — Duthie JB et al. Injeções de toxina botulínica para adultos com síndrome da bexiga hiperativa (2022). www.cochrane.org
- RBGO (2018) — Metanálise da toxina botulínica tipo A na bexiga hiperativa. journalrbgo.org
- Revisão em português sobre toxina botulínica intradetrusora (riscos e autocateterismo). www.mastereditora.com.br
- CFF — ANVISA alerta sobre risco de botulismo após a administração de toxina botulínica (13/03/2025). site.cff.org.br
- NATJUS-TJMG — Nota Técnica 015/2014: toxina botulínica na bexiga neurogênica (Conitec 2012; diretriz da ANS). bd.tjmg.jus.br
- Manual MSD (versão para pacientes) — Retenção urinária. www.msdmanuals.com
- Lei nº 14.454/2022 (inclui o §13 no art. 10 da Lei nº 9.656/1998). www.planalto.gov.br
- Portal Afya — Analgesia na aplicação de toxina botulínica para bexiga hiperativa. portal.afya.com.br
- STF — ADI 7265: cobertura de procedimentos fora do Rol da ANS. noticias.stf.jus.br