A próstata aumentada, ou hiperplasia prostática benigna (HPB), é um crescimento não canceroso da próstata, comum com a idade. Ela pode apertar o canal da urina e causar jato fraco e idas frequentes ao banheiro. O tratamento vai do acompanhamento a remédios, procedimentos e cirurgia. Quem indica o tratamento é o urologista após avaliação.
O que é a próstata aumentada (HPB)?
Na hiperplasia prostática benigna (HPB), a próstata cresce de forma benigna, ou seja, não cancerosa. Esse crescimento está ligado ao envelhecimento e pode apertar a uretra, o canal por onde a urina sai, dificultando a passagem da urina.1
A HPB é muito comum. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), ela começa a aparecer depois dos 40 anos e chega a atingir quase 70% dos homens acima de 70 anos.1 Estima-se que 40% dos homens entre 60 e 70 anos terão sintomas urinários por causa do aumento.2
Próstata aumentada não é câncer. Mesmo assim, o acompanhamento com o urologista é importante, porque o câncer de próstata pode não dar sintomas no início.1
Quais são os sintomas e quando procurar o urologista?
Os sintomas mais comuns são:1, 2
- jato de urina fraco, interrompido ou dividido;
- demora para começar a urinar;
- sensação de que a bexiga não esvaziou por completo;
- ir muitas vezes ao banheiro, de dia ou à noite;
- gotejamento no final;
- urgência para urinar e, às vezes, perda de urina.
Esses sintomas não dependem do tamanho da próstata: uma próstata pouco aumentada pode incomodar bastante, e o contrário também acontece.1
Procure um urologista se notar essas mudanças. A SBU desaconselha "se adaptar" aos sintomas, porque a obstrução por muito tempo pode prejudicar a bexiga, a chamada "bexiga fraca".2 Se você não conseguir urinar (retenção urinária aguda), procure atendimento de urgência: nesse caso é preciso colocar uma sonda.1
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento depende dos sintomas, do tamanho e do formato da próstata e da sua saúde geral. Não existe uma opção única para todos. Quem indica o tratamento é o médico após avaliação.
- Acompanhamento: sem sintomas, a próstata aumentada geralmente não é tratada, apenas acompanhada uma vez por ano.1
- Medicamentos: há remédios que aliviam os sintomas rapidamente e outros que levam meses para agir, mas podem frear ou reduzir o crescimento da próstata.1 A escolha do remédio e da dose é sempre do urologista.
- Procedimentos minimamente invasivos e cirurgia: são considerados quando os remédios não funcionam, quando a pessoa não quer usá-los ou quando a obstrução é intensa.1, 2 Entre as opções estão o implante uretral prostático, a ressecção transuretral da próstata (RTU) e a enucleação da próstata a laser.7, 8
- Sonda: para quem não pode operar, o uso de sonda, permanente ou intermitente, é uma possibilidade.7, 8 Saiba mais sobre o cateterismo intermitente.
Cada opção tem benefícios, limites e riscos próprios, descritos nas seções abaixo. Converse com o urologista sobre o que faz mais sentido no seu caso.
Como funciona o implante uretral prostático?
O implante uretral prostático é um procedimento minimamente invasivo. O urologista passa um aparelho pelo canal da urina até a próstata e coloca pequenos implantes permanentes que afastam as partes laterais da próstata, como cortinas presas nas laterais. Assim, o canal da urina fica mais aberto, sem retirada de tecido.4
No principal estudo sobre o procedimento, com 206 homens com próstata de 30 a 80 cc, as melhoras se mantiveram por 5 anos: 36% no escore de sintomas, 50% na qualidade de vida e 44% no fluxo urinário máximo. Nesse estudo, não houve disfunção erétil ou ejaculatória nova e persistente.4 São resultados de estudo, não garantia individual.
Segundo a Associação Americana de Urologia (AUA), o procedimento pode ser oferecido a homens sem lobo médio obstrutivo da próstata. A AUA observa que a melhora dos sintomas e do fluxo é menor que a obtida com a RTU.3
O que são a RTU e a enucleação a laser da próstata?
São cirurgias feitas por dentro do canal da urina, com anestesia, para retirar a parte da próstata que obstrui a passagem.
- RTU da próstata (ressecção transuretral): o urologista passa um aparelho fino com lente pela uretra e usa uma alça elétrica para retirar a parte central da próstata. O tecido retirado vai para análise.7 A diretriz europeia (EAU) considera a RTU o tratamento cirúrgico padrão para próstatas de 30 a 80 mL. Ela pode ser monopolar ou bipolar: os resultados são comparáveis, e a bipolar tem perfil de segurança mais favorável durante a cirurgia.5 A AUA aceita as duas formas, conforme a experiência do cirurgião.6
- Enucleação a laser: um laser de hólmio (HoLEP) ou de túlio (ThuLEP) separa da cápsula da próstata o tecido que obstrui. Depois, esse tecido é triturado e aspirado.8 A EAU recomenda a HoLEP como alternativa à RTU ou à cirurgia aberta, com eficácia semelhante à da RTU, cirurgia mais longa e tempo de sonda e de internação mais curtos que a RTU monopolar. A ThuLEP tem recomendação mais fraca, com eficácia e segurança semelhantes.5
Para próstatas maiores que 80 mL, a diretriz europeia prevê a cirurgia aberta quando a enucleação endoscópica não estiver disponível.5 A escolha entre as técnicas depende do tamanho da próstata, da sua saúde e da experiência do cirurgião, e é feita com o urologista.
Como é a recuperação?
A recuperação varia de pessoa para pessoa e de técnica para técnica. Os prazos abaixo vêm de estudo e de folhetos da Associação Britânica de Cirurgiões Urológicos (BAUS). São faixas, não garantia:
- Implante uretral prostático: no estudo principal, a sonda foi usada em média por 0,9 dia, e o retorno às atividades ocorreu em média em 8,6 dias. Os sintomas melhoraram já nas primeiras 2 semanas.4
- RTU: a cirurgia dura de 45 a 60 minutos, a internação é de 1 a 3 noites (em alguns centros, hospital-dia) e a sonda é retirada entre 1 dia e 1 semana.7
- Enucleação a laser (HoLEP): a cirurgia dura em média cerca de 2 horas, a internação costuma ser de 1 noite e a sonda é retirada em 1 a 2 dias.8
Depois da RTU ou da enucleação, o jato costuma melhorar logo, mas a urgência para urinar pode levar até 3 meses para se acalmar. Cerca de 20% das pessoas têm sangramento tardio na urina: de 10 a 14 dias após a RTU e de 2 a 3 semanas após a HoLEP. O resultado da análise do tecido sai em 14 a 21 dias.7, 8
A volta ao trabalho e às demais atividades depende da liberação do seu médico. Siga sempre as orientações da equipe que fez o procedimento.
Quais são os riscos e complicações?
Todo procedimento tem riscos. Os números abaixo vêm de estudo e de folhetos de sociedade médica e servem para orientar a conversa com o urologista.
- Implante uretral prostático: no estudo principal, 13,6% dos homens precisaram de nova cirurgia em 5 anos. Desconforto urinário passageiro nas primeiras semanas é comum.4
- RTU: a ejaculação retrógrada (o sêmen vai para a bexiga em vez de sair) ocorre em 65% a 75% dos casos. Os sintomas podem não ser totalmente aliviados em 1 de cada 2 a 1 de cada 10 homens. Disfunção erétil, transfusão ou nova operação, necessidade de cirurgia futura, estreitamento da uretra, retenção de urina, incontinência e descoberta de câncer na análise do tecido ocorrem, cada um, em 1 de cada 10 a 1 de cada 50 homens. A síndrome de absorção do líquido de irrigação ocorre em 1 de cada 50 a 1 de cada 250.7 Segundo a diretriz europeia, essa síndrome é eliminada com a RTU bipolar, que usa soro fisiológico.5
- Enucleação a laser (HoLEP): ejaculação retrógrada em cerca de 90%; sangue na urina por vários dias em 1 de cada 2 a 1 de cada 10; perda temporária do controle da urina em 1 de cada 10 a 1 de cada 50; transfusão ou nova operação em 1 de cada 50 a 1 de cada 250.8
A ejaculação retrógrada costuma não impedir o orgasmo, mas afeta a fertilidade natural.7, 8 Se a ereção preocupa você, leia também sobre disfunção erétil. Se houver perda de urina, veja a página sobre incontinência urinária.
O tratamento tem cobertura pelo SUS ou pelo plano de saúde?
A RTU da próstata é um procedimento previsto no SUS, segundo nota técnica do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário de Minas Gerais (NATJUS-TJMG).9
Nas fontes consultadas, não localizamos informação oficial sobre a cobertura do implante uretral prostático ou da enucleação a laser pelo SUS ou pelos planos de saúde. A cobertura pode variar: confirme com o seu plano ou com a unidade de saúde.
Perguntas frequentes
Próstata aumentada é câncer?
Não. A hiperplasia prostática benigna é um crescimento não canceroso, muito comum com a idade: atinge quase 70% dos homens acima de 70 anos, segundo a SBU. Mesmo assim, o urologista avalia a próstata periodicamente, porque o câncer de próstata pode não dar sintomas no início.1
Próstata aumentada tem cura?
Existem tratamentos que aliviam os sintomas, de remédios a procedimentos e cirurgias, mas nenhum vem com garantia de resultado permanente. Após o implante uretral prostático, por exemplo, 13,6% dos homens de um estudo precisaram de nova cirurgia em 5 anos. O urologista explica o que esperar de cada opção.1, 4
Próstata aumentada precisa sempre de cirurgia?
Próstata aumentada é perigoso? O que acontece se não tratar?
Próstata aumentada causa impotência?
As fontes consultadas não descrevem a HPB como causa direta de impotência. Alguns tratamentos, porém, podem afetar a vida sexual: após a RTU, a piora da ereção ocorre em 1 de cada 10 a 1 de cada 50 homens, e a ejaculação retrógrada é frequente. Converse com o urologista antes de decidir.7
O que é o implante uretral prostático?
É um procedimento minimamente invasivo para a HPB. Por dentro do canal da urina, o urologista coloca pequenos implantes permanentes que afastam as partes laterais da próstata e abrem a passagem da urina, sem retirar tecido. O urologista avalia se o formato da sua próstata permite o procedimento.3, 4
RTU ou enucleação a laser: qual é melhor?
Não há uma resposta única. A diretriz europeia considera a eficácia da HoLEP semelhante à da RTU. A HoLEP tem cirurgia mais longa, mas sonda e internação mais curtas que a RTU monopolar. A escolha depende do tamanho da próstata, da sua saúde e da experiência do cirurgião.5
A ejaculação muda depois da cirurgia de próstata?
Quanto tempo fico com sonda depois do tratamento?
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Diagnóstico e indicação de tratamento são feitos exclusivamente por médico após avaliação individual. Em caso de urgência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) — Doenças da próstata. portaldaurologia.org.br
- Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) — Consequências do aumento benigno da próstata. portaldaurologia.org.br
- American Urological Association (AUA) — Atualização da diretriz para o tratamento cirúrgico dos sintomas urinários atribuídos à HPB. auanet.org
- Roehrborn CG et al. — Resultados de cinco anos do estudo randomizado L.I.F.T. de lifting uretral prostático. Can J Urol 2017. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
- European Association of Urology (EAU) — Diretriz de sintomas urinários masculinos não neurogênicos, tratamento. uroweb.org
- American Urological Association (AUA) — Surgical Management of LUTS Attributed to BPH (2020). www.auanet.org
- British Association of Urological Surgeons (BAUS) — Ressecção transuretral da próstata (benigna), folheto ao paciente. www.baus.org.uk
- British Association of Urological Surgeons (BAUS) — Enucleação da próstata com laser de hólmio (HoLEP), folheto ao paciente. www.baus.org.uk
- NATJUS-TJMG — Nota técnica sobre RTU de próstata no SUS (2024). bd.tjmg.jus.br