Cateterismo intermitente é o esvaziamento da bexiga com um cateter fino, introduzido pela uretra em horários definidos e retirado logo depois. É indicado quando a bexiga não esvazia sozinha, como na bexiga neurogênica. Pode ser feito pela própria pessoa ou por um cuidador. O treinamento é feito pela equipe de saúde, e a frequência é definida pelo médico.
O que é o cateterismo intermitente?
É uma forma de esvaziar a bexiga com um cateter fino (uma sonda), introduzido pela uretra em horários definidos ao longo do dia. Depois que a urina sai, o cateter é retirado e descartado.1
Também é chamado de cateterismo intermitente limpo, autocateterismo ou sonda de alívio.13 Pode ser feito pela própria pessoa ou por um cuidador.1
É diferente da sonda de demora, que fica no corpo o tempo todo. Em comparação com ela, a Conitec cita como benefícios do cateterismo intermitente a continência, a independência e a aceitação social, além de menos infecções urinárias com sintomas e menos complicações nos rins a longo prazo.1
Para quem o cateterismo intermitente é indicado?
Para pessoas cuja bexiga não esvazia por completo, seja por um problema nos nervos, seja sem causa definida.2 Alguns exemplos:
- Bexiga neurogênica por lesão medular: na maior parte dos casos, a Conitec registra que o cateterismo deve ser iniciado desde a alta hospitalar.1
- Mielomeningocele: crianças também podem fazer cateterismo. A rede municipal de São Paulo, por exemplo, atende usuários de todas as idades.2
- Esclerose múltipla e outras doenças neurológicas que afetam a bexiga.15
- Retenção urinária: pessoas com problemas nos nervos da bexiga podem precisar de cateterismo periódico. Em retenções temporárias, ele pode ser transitório.5
Saiba mais sobre a bexiga neurogênica. Quem indica o cateterismo é o médico após avaliação.
Qual a diferença entre o cateter hidrofílico e o convencional?
O cateter convencional é de PVC e precisa de gel lubrificante.13
O cateter hidrofílico tem um revestimento que absorve água e forma uma superfície lisa e escorregadia, o que reduz o atrito na uretra. Ele já vem lubrificado e pronto para uso, sem necessidade de gel.13 É um cateter de uso único: estéril e descartado após cada uso.3
Nas contribuições enviadas à Conitec, pacientes relataram menos dor, ardência e trauma na uretra com cateteres hidrofílicos.1 O tipo e o calibre do cateter são prescritos pelo médico.2
Como funciona o cateterismo no dia a dia?
Esta página não ensina a técnica. O treinamento é feito pela equipe de saúde, que orienta a pessoa ou o cuidador antes de começar. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a rede municipal exige uma consulta de enfermagem com orientação, treinamento e avaliação antes de liberar o cateter hidrofílico.2
O médico prescreve o tipo e o calibre do cateter e o número de cateterismos por dia.2
A frequência é definida pelo médico, de forma individual. Uma nota técnica do Judiciário de Minas Gerais cita, de forma geral, de 4 a 6 vezes ao dia, mas esse número não é regra e não substitui a prescrição. A mesma nota explica por que a frequência importa: cateterismos de menos aumentam o risco de infecção, e cateterismos demais aumentam as complicações na uretra.4
O registro dos volumes de urina no diário miccional ajuda no acompanhamento. A Conitec descreve consultas e exames periódicos, semestrais ou anuais, por toda a vida, no caso da lesão medular.1
O que saber sobre higiene e infecção urinária?
A higiene faz parte do cuidado: lavar as mãos e fazer a higiene íntima estão entre as orientações descritas.1 Os detalhes são ensinados pela equipe de saúde.
Quem faz cateterismo intermitente costuma ter bactérias na urina sem estar doente. Por isso, a urocultura positiva só é valorizada quando há sintomas.1
Sinais que podem indicar infecção urinária em quem faz cateterismo:1
- febre;
- perdas de urina que aumentam ou surgem entre os cateterismos;
- aumento da espasticidade;
- piora da dor neuropática.
Metanálises analisadas pela Conitec encontraram redução relativa de 16% a 19% no risco de infecção urinária com cateteres hidrofílicos, em comparação com os não revestidos. A redução absoluta variou de 3,2% a 9,31%. A Conitec considerou incerto o risco de viés na maior parte dos estudos.1 Ou seja, o cateter hidrofílico pode reduzir o risco, mas não elimina a possibilidade de infecção.
Não troque o tipo de cateter sem orientação médica.
Quais são os riscos e complicações?
Os riscos descritos incluem infecção urinária, trauma ou sangramento na uretra e sangue na urina (hematúria).1 Sobre sangramento e hematúria, os estudos tiveram resultados conflitantes.1
A Conitec cita como contraindicações o estreitamento da uretra (estenose), tumores e infecções, e pede restrição após cirurgias da próstata.1 Por isso, a indicação depende de avaliação médica.
Pessoas com sensibilidade na região podem sentir desconforto. Com cateteres convencionais, o gel anestésico pode ser indicado nesses casos.3
Como conseguir o cateter hidrofílico pelo SUS?
A Conitec recomendou por unanimidade incorporar o cateter hidrofílico ao SUS para o cateterismo intermitente em pessoas com lesão medular e bexiga neurogênica. A decisão foi oficializada pela Portaria SCTIE/MS nº 37, de 24 de julho de 2019.1 O Decreto nº 7.646/2011 dá prazo de 180 dias para a oferta efetiva após a incorporação.2
A disponibilidade varia por município e estado. Um parecer técnico de 2022 não encontrou o insumo em listas oficiais de fornecimento em Nova Iguaçu e no estado do Rio de Janeiro.3
Um exemplo é a cidade de São Paulo, cuja nota técnica de 2023 prevê:2
- atendimento a pessoas de todas as idades com lesão medular ou mielomeningocele e bexiga neurogênica, com indicação de médico da rede municipal e uma condição associada (estreitamento da uretra, resíduo de urina acima de 150 ml ou tetraparesia);
- de 120 a 180 cateteres por mês, conforme a prescrição, retirados na UBS;
- documentos: comprovante de residência, Cartão SUS, RG e CPF;
- renovação obrigatória a cada 12 meses.
Em outras cidades, as regras podem ser diferentes. Procure a UBS com a prescrição médica para saber como funciona onde você mora.
O plano de saúde cobre o cateter hidrofílico?
Não há regra única, e a situação pode variar.
A Lei nº 14.454/2022 prevê que um tratamento prescrito fora do Rol da ANS seja coberto se houver comprovação científica de eficácia e plano terapêutico, ou recomendação da Conitec ou de órgão internacional de avaliação de tecnologias.6 Em 2025, o STF fixou requisitos que precisam ser cumpridos ao mesmo tempo, como prescrição médica, ausência de alternativa no Rol, comprovação científica e registro na ANVISA.7
Há decisões de tribunais estaduais contra a negativa do cateter hidrofílico de uso domiciliar.8 Por outro lado, a regra geral do STJ para itens de uso em casa é restritiva.9
Se o plano negar, peça a negativa por escrito e procure a ANS ou orientação jurídica.
Perguntas frequentes
O que é cateterismo intermitente limpo?
É o esvaziamento da bexiga com um cateter fino introduzido pela uretra, várias vezes ao dia, e retirado logo depois. É indicado quando a bexiga não esvazia sozinha, como na bexiga neurogênica por lesão medular. Pode ser feito pela própria pessoa ou por um cuidador, após treinamento com a equipe de saúde.12
Quantas vezes por dia preciso fazer o cateterismo?
Quem define é o médico, de forma individual. Uma nota técnica do Judiciário de Minas Gerais cita, de forma geral, de 4 a 6 vezes ao dia, mas isso não é regra. Fazer poucas vezes aumenta o risco de infecção, e fazer vezes demais pode causar complicações na uretra.4 Siga a sua prescrição.
O cateterismo intermitente causa infecção urinária?
A infecção urinária é um dos riscos. Quem faz cateterismo costuma ter bactérias na urina sem estar doente; por isso, só se trata a infecção quando há sintomas, como febre ou perdas novas de urina. Estudos analisados pela Conitec mostraram menos infecções com cateteres hidrofílicos do que com os não revestidos.1
Dói passar a sonda de alívio?
Pessoas que têm sensibilidade na região podem sentir desconforto. Com cateteres convencionais, o gel anestésico pode ser indicado nesses casos.3 Nas contribuições enviadas à Conitec, pacientes relataram menos dor, ardência e trauma na uretra com cateteres hidrofílicos.1 Converse com a equipe de saúde se sentir dor.
Qual a diferença entre o cateter hidrofílico e a sonda comum?
Posso reutilizar o cateter hidrofílico?
O SUS fornece cateter hidrofílico?
Quantos cateteres o SUS fornece por mês?
Depende do local. Na cidade de São Paulo, a nota técnica de 2023 prevê de 120 a 180 unidades por mês, conforme a prescrição, retiradas na UBS, com renovação a cada 12 meses.2 Em outros municípios, as regras e as quantidades podem variar. Informe-se na unidade de saúde da sua cidade.
Criança pode fazer cateterismo intermitente?
Sim. A rede municipal de São Paulo, por exemplo, atende usuários de todas as idades, incluindo crianças com mielomeningocele.2 Nesses casos, os pais ou cuidadores recebem o treinamento da equipe de saúde. A indicação, o tipo de cateter e a frequência são definidos pelo urologista pediátrico.
Preciso fazer cateterismo pelo resto da vida?
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Diagnóstico e indicação de tratamento são feitos exclusivamente por médico após avaliação individual. Em caso de urgência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.
Fontes
- Conitec — Relatório de Recomendação nº 459/2019: cateter hidrofílico para cateterismo vesical intermitente em indivíduos com lesão medular e bexiga neurogênica (inclui a Portaria SCTIE/MS nº 37/2019). www.saude.sp.gov.br
- Prefeitura de São Paulo/SMS — Nota Técnica nº 03/2023 CAB/SEABEVS/SMS: cateter hidrofílico. www.prefeitura.sp.gov.br
- SES-RJ/NATJUS — Parecer Técnico 0060/2022: cateter hidrofílico na bexiga neurogênica. static.trf2.jus.br
- NATJUS-TJMG — Nota Técnica 2022.0002639: lidocaína gel e cateterismo (frequência e volume). bd-login.tjmg.jus.br
- Manual MSD (versão para pacientes) — Retenção urinária. www.msdmanuals.com
- Lei nº 14.454/2022 (inclui o §13 no art. 10 da Lei nº 9.656/1998). www.planalto.gov.br
- STF — ADI 7265: cobertura de procedimentos fora do Rol da ANS. noticias.stf.jus.br
- Jurisprudência sobre plano de saúde e cateter de uso domiciliar (TJPR). www.admdireito.com.br
- Machado Meyer — STJ: operadora não é obrigada a cobrir itens de uso domiciliar, salvo hipóteses legais. www.machadomeyer.com.br