Cálculo renal, a popular pedra nos rins, é uma formação endurecida que surge nos rins ou nas vias urinárias pelo acúmulo de cristais da urina. Pode não dar sintomas ou causar cólica forte. Muitas pedras pequenas saem sozinhas. Outras precisam de tratamento, que o urologista indica após avaliação.
O que é o cálculo renal?
O cálculo renal, conhecido como pedra nos rins, é uma formação endurecida que surge nos rins ou nas vias urinárias. Ele se forma pelo acúmulo de cristais presentes na urina1. Quando a pedra desce e fica no ureter, o canal que leva a urina do rim até a bexiga, fala-se em pedra no ureter.
Alguns fatores aumentam a chance de ter pedra nos rins1:
- histórico na família;
- beber pouco líquido e ter urina pouco volumosa ou concentrada;
- clima quente;
- sedentarismo e obesidade;
- dieta rica em sal e em proteína;
- alterações na anatomia ou obstrução das vias urinárias;
- algumas doenças, como hiperparatireoidismo e doença de Crohn;
- ficar imobilizado por muito tempo.
O problema é frequente no Brasil. Um estudo com dados do SUS contou 909.341 internações por pedra nas vias urinárias entre 2014 e junho de 20245. Não há levantamento nacional recente sobre quantas pessoas têm a doença. Uma estimativa antiga, de 2005, falava em cerca de 3% da população, com mais casos em homens e pico entre 20 e 40 anos2.
Quais são os sintomas e quando procurar um médico?
Algumas pessoas não sentem nada. A maioria, porém, tem uma dor forte, em cólica, que começa nas costas e irradia para a barriga, em direção à virilha1. Ela pode vir com1:
- náuseas e vômitos;
- sangue na urina;
- jato de urina fraco ou interrompido;
- vontade de urinar muitas vezes;
- infecção urinária.
Procure um urologista se tiver esses sintomas ou se um exame mostrar uma pedra. Ele vai avaliar o tamanho, o local da pedra e os sinais de infecção.
Febre junto com dor e suspeita de rim bloqueado é uma situação de urgência. Nesses casos, a diretriz europeia recomenda desobstruir o rim logo, com um cateter duplo J ou uma nefrostomia (tubo nas costas), e tratar a pedra só depois que a infecção ceder3. Se isso acontecer, ligue 192 ou vá a um pronto-socorro.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento depende do tamanho, do local e da composição da pedra, além da sua saúde geral3. As opções vão do acompanhamento à cirurgia:
- Observação. Pedras pequenas no ureter podem ser acompanhadas. Cerca de 3 em cada 4 pedras menores que 5 mm saem sozinhas. Entre as de 5 mm ou mais, a taxa cai para cerca de 62%3.
- Medicamentos que ajudam a pedra a descer. Podem ser usados em casos selecionados de pedra na parte baixa do ureter, sempre com prescrição médica3.
- Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO). As ondas são aplicadas de fora do corpo para quebrar a pedra1, 3.
- Ureteroscopia com laser. Um aparelho fino entra pelo canal da urina até a pedra, que é fragmentada com laser3, 4. Veja a página sobre ureteroscopia.
- Nefrolitotripsia percutânea (NLPC). Cirurgia por uma pequena incisão nas costas. É a primeira opção da diretriz europeia para pedras no rim maiores que 2 cm3, 8.
- Cirurgia aberta, laparoscópica ou robótica. Hoje é exceção, usada quando as técnicas endoscópicas não resolvem4.
Quem indica o tratamento é o médico, após avaliação. Não existe uma opção que sirva para todos os casos.
Como são os procedimentos para retirar a pedra?
Na ureteroscopia, um aparelho fino entra pela uretra, passa pela bexiga e chega ao ureter ou ao rim, sem incisão na pele. A pedra é quebrada, em geral com laser, e os pedaços maiores são retirados com pequenas cestas. A técnica praticamente substituiu a cirurgia aberta para pedras4.
Na nefrolitotripsia percutânea, o cirurgião faz uma pequena incisão nas costas e usa um aparelho chamado nefroscópio para retirar as pedras, em geral em um só procedimento, com anestesia geral8.
Ao final, o médico pode deixar um cateter duplo J ou um tubo de nefrostomia, ambos temporários8. Depois de uma ureteroscopia sem complicações, a diretriz europeia recomenda não colocar o duplo J3.
Como é a recuperação e como evitar novas pedras?
A recuperação depende da técnica. Após a ureteroscopia, muitos pacientes vão para casa no mesmo dia ou na manhã seguinte. A orientação é beber o dobro do habitual nas primeiras 24 a 48 horas e voltar ao trabalho quando estiver confortável e com liberação médica4. Após a cirurgia percutânea, a alta acontece quando você urina bem e a dor e o risco de sangramento estão controlados8.
A pedra pode voltar. Cerca de 1 em cada 2 pacientes forma uma nova pedra em 5 a 10 anos4. Por isso, o urologista pode investigar as causas e orientar mudanças de hábito4. O Ministério da Saúde recomenda1:
- beber mais água e sucos naturais, especialmente cítricos, como o de limão;
- reduzir o sal e a proteína animal;
- praticar atividade física;
- perder peso, em caso de excesso.
Quais são os riscos e as complicações?
A complicação mais séria da pedra é a obstrução do rim com infecção. Ela exige desobstrução urgente e tratamento da infecção antes de tratar a pedra3.
Todo procedimento também tem riscos. Na ureteroscopia, segundo uma sociedade britânica de urologia4:
- ardor ou um pouco de sangue na urina por pouco tempo: quase todos os pacientes;
- pedra que sobra e precisa de novo tratamento: 5% a 15%;
- não conseguir acessar o ureter ou alcançar a pedra: cerca de 5%;
- infecção que precisa de antibiótico: entre 1 em 50 e 1 em 100;
- lesão leve da parede do ureter: cerca de 1%;
- estreitamento do ureter: entre 1 em 100 e 1 em 250;
- lesão grave do ureter: menos de 0,1%.
Comparada às ondas de choque, a ureteroscopia tem mais chance de deixar você livre de pedras em um único procedimento, mas tem taxa de complicações maior3. Na cirurgia percutânea, o sangramento é o risco mais lembrado. Trajetos mais largos, rim dilatado, mais de um trajeto e cirurgias mais longas se associam a maior perda de sangue3. Converse com o seu médico sobre os riscos no seu caso.
O SUS e os planos de saúde cobrem o tratamento?
SUS: a ureterolitotripsia transureteroscópica (cirurgia de pedra no ureter pelo canal da urina) entrou na tabela do SUS em 2020, pela Portaria SAES nº 1.127/2020. Ela é feita em regime hospitalar ou de hospital-dia e inclui os materiais endoscópicos necessários. A passagem de cateter duplo J é compatível com esse procedimento6. A disponibilidade depende da rede local.
Planos de saúde: uma tabela de operadora lista a ureterorrenolitotripsia flexível a laser e informa que a colocação e a retirada do duplo J estão incluídas no procedimento principal7. Essa é uma regra de remuneração da operadora, não uma norma da ANS. A cobertura pode variar: confirme no Rol vigente da ANS e com o seu plano.
Perguntas frequentes
Pedra nos rins sai sozinha?
Muitas vezes, sim, principalmente as pequenas. Pela diretriz europeia, cerca de três em cada quatro pedras menores que 5 mm são eliminadas sozinhas, e a chance cai conforme o tamanho aumenta3. O urologista avalia o tamanho, o local, a dor e os sinais de infecção para decidir entre acompanhar ou tratar.
Por que a dor da pedra no rim é tão forte?
A cólica renal costuma ser uma dor muito intensa, em ondas, que começa nas costas e irradia para a barriga e a virilha. Pode vir com náusea, vômito e sangue na urina1. Ela aparece quando a pedra se move ou bloqueia a passagem da urina. Dor forte merece avaliação médica.
Quando a pedra nos rins vira emergência?
Febre com dor lombar, calafrios, mal-estar intenso ou parada da urina exigem atendimento imediato: ligue 192 ou procure um pronto-socorro. Rim bloqueado e infectado precisa ser desobstruído com urgência, com cateter duplo J ou nefrostomia. O tratamento da pedra fica para depois que a infecção for controlada3.
O que é bom para pedra nos rins?
Para prevenir, o Ministério da Saúde recomenda beber mais água e sucos naturais, especialmente cítricos, reduzir sal e proteína animal, fazer atividade física e perder peso em caso de excesso1. Chás e receitas caseiras não substituem a avaliação. Quem tem dor ou pedra já diagnosticada deve conversar com um urologista.
Pedra nos rins volta?
Pode voltar. Uma sociedade britânica de urologia estima que cerca de metade dos pacientes forma uma nova pedra em 5 a 10 anos4. Por isso, além de tratar a pedra atual, o urologista pode investigar causas e orientar mudanças na alimentação e na hidratação para reduzir esse risco.
Qual tratamento é indicado para pedra nos rins?
Depende do tamanho, do local e da composição da pedra e da sua saúde. As opções incluem observação, medicamentos, ondas de choque, ureteroscopia e cirurgia percutânea. Para pedras no rim maiores que 2 cm, a diretriz europeia indica primeiro a cirurgia percutânea3. Quem indica o tratamento é o médico após avaliação.
Ureteroscopia ou ondas de choque?
Segundo a diretriz europeia, a ureteroscopia tem mais chance de deixar o paciente livre de pedras em um único procedimento, mas tem taxa de complicações maior que as ondas de choque3. A escolha é individual e considera o tamanho e o local da pedra. Discuta as vantagens e os riscos com o seu urologista.
O SUS faz cirurgia de pedra no ureter?
Sim. A ureterolitotripsia transureteroscópica foi incluída na tabela do SUS em 2020, pela Portaria SAES 1.127/2020, em regime hospitalar e de hospital-dia, com os materiais endoscópicos necessários6. A disponibilidade depende da rede local. Informe-se na unidade de saúde ou com a secretaria de saúde do seu município.
Quem tem mais risco de ter pedra nos rins?
Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com histórico familiar, que bebem pouca água, comem muito sal e proteína, são sedentárias ou têm obesidade, ou que têm doenças como hiperparatireoidismo ou doença de Crohn1. Clima quente e alterações na anatomia das vias urinárias também aumentam o risco.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Diagnóstico e indicação de tratamento são feitos exclusivamente por médico após avaliação individual. Em caso de urgência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.
Fontes
- Biblioteca Virtual em Saúde, Ministério da Saúde — Cálculo renal (pedra no rim). bvsms.saude.gov.br
- Conselho Federal de Medicina / Cremepe (2005) — Cálculo renal atinge 3% da população. portal.cfm.org.br
- European Association of Urology (EAU) — Guidelines on Urolithiasis, recomendações (2026). uroweb.org
- British Association of Urological Surgeons (BAUS) — Ureteroscopy (telescopic surgery) for stones, folheto para pacientes (2023). www.baus.org.uk
- Veloso et al. (2025) — Internações por urolitíase no Brasil, dados SIH/SUS 2014–2024. bjihs.emnuvens.com.br
- CONASS Informa nº 446/2020 — Portaria SAES/MS nº 1.127/2020 (ureterolitotripsia transureteroscópica). www.conass.org.br
- Unimed Fesp — Normas de urologia (TUSS 31102360). www.unimed.coop.br
- European Association of Urology (EAU), informação ao paciente — Percutaneous nephrolithotomy (PCNL). patients-new.uroweb.org