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Tratamento

Ureteroscopia e litotripsia a laser: como é, recuperação e riscos

A ureteroscopia é um procedimento para tratar pedras no ureter ou no rim sem incisão na pele. Um aparelho fino entra pelo canal da urina até a pedra, que é quebrada com laser. Os pedaços saem com a urina ou são retirados. É feita com anestesia, e a alta costuma ser rápida.

Atualizado em Revisão médica: pendente 10 fontes citadas

O que é a ureteroscopia?

Na ureteroscopia, um aparelho fino com câmera, o ureteroscópio, é passado pela uretra até a bexiga e depois até o ureter ou o rim. Ele serve para quebrar ou retirar pedras, em geral com energia laser levada por uma fibra fina. A técnica praticamente eliminou a cirurgia aberta para pedras1.

Existem dois tipos de aparelho3:

  • Semirrígido: um tubo reto, mais usado para pedras na parte baixa do ureter.
  • Flexível: dobra-se e alcança a parte alta do ureter e o interior do rim. Também é chamado de ureterorrenoscopia flexível ou cirurgia intrarrenal retrógrada.

Quando a ureteroscopia é indicada?

A ureteroscopia é uma das opções para tratar pedras que não saem sozinhas ou que causam dor, bloqueio ou infecção. Para conhecer os sintomas e as outras opções, veja a página sobre cálculo renal.

Segundo a diretriz europeia2:

  • comparada às ondas de choque, a ureteroscopia tem mais chance de deixar o paciente livre de pedras em um único procedimento, mas tem taxa de complicações maior;
  • para pedras no rim maiores que 2 cm, a primeira opção é a cirurgia percutânea. A ureteroscopia flexível é alternativa quando ela ou as ondas de choque não são possíveis;
  • em pessoas com obesidade grave, a ureteroscopia flexível é uma das primeiras opções.

Quem indica o tratamento é o médico após avaliação, considerando o tamanho e o local da pedra e a sua saúde.

Como funciona a litotripsia a laser?

Durante a ureteroscopia, uma fibra óptica fina leva a energia do laser até a pedra. Os pulsos de laser quebram a pedra em pedaços pequenos, que saem com a urina ou são retirados com uma pequena cesta1.

Os dois tipos de laser mais usados são o de hólmio e o de fibra de túlio. A diretriz europeia recomenda os dois e informa que os resultados do túlio parecem comparáveis aos do hólmio2. Um estudo randomizado de 2023, com 108 pacientes e pedras menores que 2 cm, não encontrou vantagem clínica relevante de um sobre o outro5. Uma análise de 2025 que juntou 13 estudos achou mais pacientes livres de pedra com o túlio, mas incluiu estudos de tipos diferentes e por isso não equivale a um estudo randomizado6.

A energia do laser pode empurrar a pedra para longe da fibra, efeito chamado de retropulsão. Há formatos de pulso desenvolvidos para reduzir isso, mas uma revisão de 2022 concluiu que ainda há dúvidas sobre os resultados em pacientes7. A escolha do equipamento depende do caso e da experiência da equipe.

Como é o procedimento?

Antes: a equipe revisa os seus medicamentos. Avise se usa anticoagulantes (remédios que afinam o sangue). Você conversa com o anestesista e, às vezes, faz um raio-X ou uma tomografia no dia para confirmar que a pedra não saiu sozinha1.

Durante: em geral é usada anestesia geral, e você recebe antibiótico para prevenir infecção. A anestesia raquidiana pode ser discutida com o anestesista1. Guiado por raio-X, o médico chega até a pedra pelo canal da urina, sem incisão na pele, quebra a pedra e retira os pedaços maiores1.

Depois: muitos pacientes vão para casa no mesmo dia ou na manhã seguinte. Às vezes fica uma sonda na bexiga até o dia seguinte ou um cateter duplo J temporário1. A diretriz europeia recomenda não colocar o duplo J em casos sem complicações2. Em internações de emergência, com rim bloqueado ou infecção, a permanência costuma ser maior1.

Como é a recuperação?

  • A recuperação costuma ser rápida. Volte ao trabalho quando estiver confortável e com liberação médica1.
  • A orientação é beber o dobro do habitual nas primeiras 24 a 48 horas1.
  • Ardor e um pouco de sangue na urina por pouco tempo são esperados1.
  • Quem fica com duplo J pode sentir dor nas costas ao urinar1 e algum desconforto até a retirada10.
  • Um hospital americano relata volta às atividades normais em 1 a 2 semanas para a maioria dos pacientes4. O tempo varia de pessoa para pessoa.

Quais são os riscos e as complicações?

Segundo uma sociedade britânica de urologia1:

  • ardor ou um pouco de sangue na urina por pouco tempo: quase todos os pacientes;
  • pedra que sobra e precisa de novo tratamento: 5% a 15%;
  • não conseguir acessar o ureter ou alcançar a pedra: cerca de 5%;
  • infecção que precisa de antibiótico: entre 1 em 50 e 1 em 100;
  • lesão leve da parede do ureter: cerca de 1%;
  • estreitamento do ureter: entre 1 em 100 e 1 em 250;
  • lesão grave do ureter: menos de 0,1%.

Às vezes o tratamento é planejado em duas etapas, com um duplo J entre elas1. Converse com o seu urologista sobre os riscos no seu caso.

A ureteroscopia tem cobertura pelo SUS e pelos planos?

SUS: a ureterolitotripsia transureteroscópica entrou na tabela do SUS em 2020, pela Portaria SAES nº 1.127/2020, em regime hospitalar ou de hospital-dia. Ela inclui fragmentadores, ureteroscópios e outros materiais endoscópicos necessários e é compatível com a passagem de duplo J. O texto não especifica o tipo de energia usada para quebrar a pedra8. A tecnologia disponível e o acesso variam conforme o hospital e a rede local.

Planos de saúde: uma tabela de operadora lista a ureterorrenolitotripsia flexível a laser e inclui no procedimento a colocação e a retirada do duplo J9. Essa é uma regra da operadora, não uma norma da ANS. A cobertura pode variar: confirme no Rol vigente da ANS e com o seu plano.

Perguntas frequentes

Ureteroscopia tem corte?

Não. O aparelho entra pelo canal natural da urina, a uretra, passa pela bexiga e chega ao ureter ou ao rim. A pedra é quebrada, normalmente com laser, e os pedaços maiores são retirados com pequenas cestas. Por isso a técnica substituiu quase totalmente a cirurgia aberta para pedras1.

Qual a diferença entre ureteroscopia flexível e semirrígida?

O aparelho semirrígido é um tubo reto, mais usado para pedras na parte baixa do ureter. O flexível se dobra e alcança a parte alta do ureter e o interior do rim. Uma nota técnica do NATJUS-TJMG indica o flexível para pedras grandes na parte alta e o rígido para as da parte baixa3.

A cirurgia de pedra a laser é com anestesia geral?

Na maioria das vezes, sim. Segundo uma sociedade britânica de urologia, normalmente se usa anestesia geral, com antibiótico antes do procedimento1. A anestesia raquidiana pode ser discutida com o anestesista, conforme o caso. Como há anestesia, você não sente o procedimento enquanto ele acontece.

Quanto tempo fico internado após a ureteroscopia?

Muitos pacientes recebem alta no mesmo dia ou na manhã seguinte. Em internações de emergência, com rim bloqueado ou infecção, a permanência costuma ser maior, por causa dos exames e dos tratamentos feitos antes da cirurgia1. O tempo exato depende da sua recuperação e da avaliação da equipe.

É normal arder e sair sangue na urina depois?

Sim. Ardor e um pouco de sangue na urina por pouco tempo acontecem em quase todos os pacientes, sobretudo em quem fica com duplo J1. Febre, dor forte, incapacidade de urinar ou sangramento que aumenta exigem contato médico imediato ou ida ao pronto-socorro.

Vou sair da cirurgia com duplo J?

Nem sempre. A diretriz europeia recomenda não colocar o cateter em casos sem complicações. Ele é indicado quando há mais risco, como lesão do ureter, pedra que sobrou ou infecção2. A decisão é do cirurgião durante o procedimento. Se ficar com ele, saiba a data de retirada.

A pedra pode sobrar depois da ureteroscopia?

Pode. Uma sociedade britânica de urologia estima pedra residual que precisa de novo tratamento em 5% a 15% dos casos, mais comum em pedras próximas ao rim. Às vezes o tratamento é planejado em duas etapas, com um cateter duplo J entre elas1.

Quando volto a trabalhar depois da ureteroscopia?

A recuperação costuma ser rápida. A orientação é voltar quando estiver confortável e com liberação médica, e beber o dobro de líquido nas primeiras 24 a 48 horas1. Um hospital americano relata volta às atividades em 1 a 2 semanas para a maioria4. Com duplo J, pode haver dor ao urinar.

Como o laser quebra a pedra do rim?

Uma fibra óptica fina é passada pelo canal do ureteroscópio até encostar na pedra. Os pulsos de laser quebram a pedra em pedaços pequenos, que saem com a urina ou são retirados com uma cesta1. Tudo é feito por dentro, pelo canal da urina, sem incisão na pele e com anestesia.

Laser de hólmio ou de túlio: qual escolher?

A diretriz europeia recomenda os dois para a ureteroscopia e diz que, até agora, o túlio não mostrou superioridade em análise conjunta de estudos2. Um estudo randomizado de 2023 não encontrou diferença clínica relevante entre eles5. A escolha depende do caso e da experiência da equipe.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Diagnóstico e indicação de tratamento são feitos exclusivamente por médico após avaliação individual. Em caso de urgência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.

Fontes

  1. British Association of Urological Surgeons (BAUS) — Ureteroscopy (telescopic surgery) for stones, folheto para pacientes (2023). www.baus.org.uk
  2. European Association of Urology (EAU) — Guidelines on Urolithiasis, recomendações (2026). uroweb.org
  3. NATJUS-TJMG — Nota técnica 2023.0003376, Ureterolitotripsia. bd-login.tjmg.jus.br
  4. Emory Healthcare — Ureteroscopy (informação institucional). emoryhealthcare.org
  5. Haas CR et al. — Laser de hólmio x laser de fibra de túlio para pedras renais e ureterais, ensaio randomizado, J Urol 2023. urology.wisc.edu
  6. Revisão sistemática e metanálise: laser de fibra de túlio x laser de hólmio (Yonsei, 2025). ir.ymlib.yonsei.ac.kr
  7. New generation pulse modulation in Ho:YAG lasers: systematic review and meta-analysis (2022). www.ncbi.nlm.nih.gov
  8. CONASS Informa nº 446/2020 — Portaria SAES/MS nº 1.127/2020 (ureterolitotripsia transureteroscópica). www.conass.org.br
  9. Unimed Fesp — Normas de urologia (TUSS 31102360). www.unimed.coop.br
  10. British Association of Urological Surgeons (BAUS) — Telescopic insertion or removal of a ureteric stent, folheto para pacientes (2023). www.baus.org.uk

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