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Tratamento

Prótese peniana: tipos, cirurgia, recuperação e cobertura

A prótese peniana é um dispositivo colocado por cirurgia dentro do pênis para permitir a ereção em homens com disfunção erétil. Há dois tipos principais: a inflável e a maleável (semirrígida). Ela é considerada quando outros tratamentos não funcionam, não são tolerados ou não são desejados. A indicação é sempre do urologista após avaliação.

Atualizado em Revisão médica: pendente 9 fontes citadas

O que é a prótese peniana?

A prótese peniana é um dispositivo colocado dentro do pênis, por meio de cirurgia, para permitir que o homem com disfunção erétil tenha uma ereção firme o suficiente para a relação sexual. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o implante de prótese é basicamente o tratamento cirúrgico da disfunção erétil.1

É uma decisão importante. A diretriz da Associação Americana de Urologia (AUA) destaca a necessidade de conversar com calma sobre o implante antes da cirurgia, porque ele é invasivo e essencialmente irreversível.2, 3

Para quem a prótese peniana é indicada?

A prótese é indicada para casos específicos de disfunção erétil. As diretrizes de disfunção sexual a colocam como tratamento de terceira linha: ela é considerada quando os remédios e os outros tratamentos clínicos não funcionam, não são tolerados ou não são desejados.2

Na doença de Peyronie, que causa curvatura do pênis, a diretriz da AUA prevê a prótese para homens com disfunção erétil ou deformidade que impede a relação apesar de outros tratamentos. Nesse cenário, a diretriz recomenda a prótese inflável.4

Quem indica a cirurgia é o médico após avaliação. O urologista confirma o diagnóstico, revê sua história médica e cirúrgica e discute com você se o implante é apropriado.

Qual a diferença entre a prótese inflável e a maleável?

Existem dois tipos principais. Os dois ficam totalmente dentro do corpo, e a escolha é feita com o urologista, de acordo com a avaliação e as preferências de cada homem.

  • Prótese peniana inflável (de três volumes): tem dois cilindros dentro do pênis, uma pequena bomba no escroto e um reservatório de líquido no abdome, ligados por tubos. Ao apertar a bomba, o homem enche os cilindros e produz a ereção; depois, esvazia o sistema e o pênis volta a ficar flácido. Quem recebe esse tipo de prótese é treinado para inflar e esvaziar o dispositivo.5
  • Prótese peniana maleável (semirrígida): tem duas hastes flexíveis colocadas dentro do pênis. O pênis fica sempre firme, e o homem o posiciona com a mão: para cima na hora da relação e para baixo no dia a dia.

Na prática, a inflável alterna ereção e flacidez sob o controle do homem, e a maleável é mais simples, mas fica permanentemente firme. Nenhum dos tipos é melhor para todos.

Como é a cirurgia, em linhas gerais?

A cirurgia é feita em hospital, com anestesia. O cirurgião coloca os cilindros ou as hastes dentro dos corpos cavernosos, as estruturas do pênis que se enchem de sangue na ereção natural. Na prótese inflável, a bomba fica no escroto e o reservatório, no abdome.

Antes da cirurgia, o urologista avalia sua saúde geral. Infecções ativas e problemas urinários não resolvidos precisam ser tratados antes do implante. Os detalhes da técnica variam conforme o caso e são explicados pela equipe cirúrgica.

Como é a recuperação?

Dor no local do corte é comum depois da cirurgia e costuma melhorar com o passar das semanas. Vermelhidão, inchaço que aumenta ou febre exigem contato imediato com o urologista.

O momento de voltar às atividades e de começar a usar a prótese nas relações é definido pelo cirurgião, de acordo com a cicatrização de cada pessoa. Na prótese inflável, antes de usar, o homem recebe treinamento para inflar e esvaziar o dispositivo.5

Siga sempre as orientações da equipe que fez a cirurgia.

Quais são os riscos e complicações?

Como toda cirurgia, o implante de prótese tem riscos. Os principais descritos são:

  • Infecção: em um estudo multicêntrico com 113 homens que receberam prótese inflável, 3,5% precisaram retirar a prótese por infecção, e 0,8% por dor crônica.5 Diabetes, lesão da medula espinhal e baixa imunidade podem aumentar o risco de infecção.
  • Falha mecânica: a prótese pode apresentar defeito com o tempo e exigir nova cirurgia. Em uma série de 74 próteses infláveis, 93,3% funcionavam após 5 anos, 76,5% após 10 anos e 64,8% após 15 anos.6
  • Perda das ereções naturais: como o implante é essencialmente irreversível, ereções naturais e alguns outros tratamentos para disfunção erétil podem deixar de ser possíveis.2 Retirar a prótese sem colocar outra logo depois pode dificultar ou impedir um novo implante.
  • Outros: dor, reações à anestesia, encurtamento, curvatura ou cicatriz no pênis e necessidade de nova cirurgia por infecção ou problema mecânico.

Converse com o urologista sobre como esses riscos se aplicam ao seu caso.

O que esperar depois do implante?

Os estudos mostram satisfação alta, mas não garantem resultado individual. No estudo com 113 homens com prótese inflável, 90,0% estavam satisfeitos aos 12 meses.5 Em outra série, com 74 homens, 86,8% ficaram satisfeitos, mas apenas 60,4% relataram orgasmo.6

A prótese atua na rigidez do pênis. Por isso, é importante falar abertamente com o urologista sobre suas expectativas e as da sua parceria antes da cirurgia.

A prótese peniana tem cobertura pelo plano de saúde ou pelo SUS?

Planos de saúde (ANS): o procedimento "implante de prótese semirrígida (exclui próteses infláveis)" faz parte do Rol da ANS. Por isso, tem cobertura obrigatória nos planos novos e adaptados com segmentação hospitalar. A prótese inflável não tem cobertura obrigatória, segundo o Parecer Técnico nº 14/2021 da ANS.7 Desde a Lei 14.454/2022, o rol serve de referência básica e admite cobertura de tratamentos fora dele quando certos critérios são cumpridos.8

SUS: a tabela de procedimentos do SUS (SIGTAP) inclui a prótese peniana maleável, sob o código 07.02.06.002-0. O acesso ocorre pela regulação do SUS.9 Nas fontes consultadas, não localizamos cobertura da prótese inflável pelo SUS.

A cobertura pode variar conforme o contrato e o caso. Confirme sempre com o seu plano de saúde ou com a unidade de saúde.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre prótese peniana inflável e maleável?

A maleável tem hastes flexíveis que deixam o pênis sempre firme, posicionado com a mão. A inflável tem cilindros no pênis, uma bomba no escroto e um reservatório no abdome: apertando a bomba, o homem produz a ereção e depois volta à flacidez. Quem usa a inflável recebe treinamento.5

Quando a prótese peniana é indicada?

O implante é considerado quando tratamentos menos invasivos, como comprimidos, injeções e bomba de vácuo, não funcionam, não são tolerados ou não são aceitos. As diretrizes o tratam como terceira linha. Como é essencialmente irreversível, a decisão exige conversa detalhada com o urologista sobre expectativas.1, 2

Quanto tempo depois da cirurgia posso ter relações?

O prazo é definido pelo cirurgião, de acordo com a cicatrização de cada pessoa, e não deve ser antecipado. Na prótese inflável, antes do primeiro uso, o homem recebe treinamento para inflar e esvaziar o dispositivo. Tire suas dúvidas sobre esse prazo na consulta antes da cirurgia.5

A prótese peniana muda a sensibilidade ou o orgasmo?

A prótese atua na rigidez do pênis. Ainda assim, em uma série de 74 homens com prótese inflável, 86,8% ficaram satisfeitos, mas apenas 60,4% relataram orgasmo. Por isso, as expectativas sobre a vida sexual devem ser conversadas com o urologista antes da cirurgia.6

Quais são os riscos da cirurgia de prótese peniana?

Os principais são infecção, falha mecânica com necessidade de nova cirurgia, dor, encurtamento ou curvatura do pênis e reações à anestesia. Em um estudo com 113 homens, 3,5% precisaram retirar a prótese por infecção. O urologista avalia seus fatores de risco antes de indicar a cirurgia.5, 6

Quanto tempo dura uma prótese peniana?

Depende de cada caso. Em uma série de próteses infláveis, cerca de 93% ainda funcionavam mecanicamente após 5 anos, 76% após 10 anos e 65% após 15 anos. Quando há falha, pode ser necessário trocar componentes ou a prótese inteira, o que exige nova cirurgia.6

Depois da prótese ainda consigo ter ereção natural?

Em geral, não se deve contar com isso. O implante é considerado essencialmente irreversível e pode tornar impossíveis as ereções naturais e alguns outros tratamentos para disfunção erétil. Por isso ele é indicado depois de outras opções e após conversa detalhada com o urologista.2

O plano de saúde cobre prótese peniana?

Pela ANS, o implante de prótese semirrígida (maleável) tem cobertura obrigatória em planos novos ou adaptados com segmentação hospitalar. A prótese inflável não está entre as coberturas obrigatórias. Desde 2022, a lei admite cobertura fora do rol em certas condições. Confirme sempre com o seu plano.7, 8

O SUS faz implante de prótese peniana?

A tabela de procedimentos do SUS (SIGTAP) inclui a prótese peniana maleável, sob o código 07.02.06.002-0, conforme parecer técnico de 2024. O acesso passa pela regulação do SUS, a partir de encaminhamento médico. Não localizamos cobertura da prótese inflável pelo SUS.9

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Diagnóstico e indicação de tratamento são feitos exclusivamente por médico após avaliação individual. Em caso de urgência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) — Impotência sexual. portaldaurologia.org.br
  2. Editorial sobre as recomendações da ESSM para disfunção erétil, com referência à diretriz AUA 2018 (PMC7993974). www.ncbi.nlm.nih.gov
  3. American Urological Association (AUA) — Erectile Dysfunction Guideline (2018). www.auanet.org
  4. Nehra A et al. — Peyronie's Disease: AUA Guideline. J Urol 2015 (PMC5027990). pmc.ncbi.nlm.nih.gov
  5. Ohl DA et al. — Avaliação prospectiva da satisfação de pacientes com prótese peniana inflável de três volumes. J Sex Med 2012. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  6. Ji YS et al. — Sobrevida de longo prazo e satisfação com prótese peniana inflável. Korean J Urol 2015. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  7. ANS — Parecer Técnico nº 14/GEAS/GGRAS/DIPRO/2021: implantação de prótese peniana (exclui próteses infláveis). www.gov.br
  8. Presidência da República — Lei nº 14.454, de 21 de setembro de 2022 (rol da ANS como referência básica). www.planalto.gov.br
  9. TRF2 / Comitê Estadual de Saúde RJ (NatJus) — Parecer Técnico 0050/2024 (SIGTAP 07.02.06.002-0, prótese peniana maleável). static.trf2.jus.br

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